iHamburger BahnhofMoabit
Obras de Shilpa Gupta sobre linguagem, fronteiras e poder, em diálogo direto com Joseph Beuys e a Marx Collection.
A palavra TRUTH ergue-se no átrio, formada por letras de betão que se elevam acima de quem as observa, separadas e fora de ordem, com o T deitado no chão. Caminha-se entre elas, e a palavra só se lê de certos pontos. Na Berlin Art Link, Carolin Kralapp escreveu que a escala «levanta questões sobre o poder».
À sua volta, reúnem-se vinte anos de trabalho de Gupta sobre censura e fronteiras, em diálogo com as obras de Joseph Beuys do acervo do museu. Dois painéis de placas giratórias, do tipo outrora usado para anunciar partidas de comboios, percorrem frases da própria artista. Uma biblioteca com 100 capas metálicas identifica livros reais publicados sob pseudónimo; em cada capa está gravada a razão do autor. Nas mesas, pode passar-se giz de cera sobre gravuras de detenções policiais em que a pessoa detida foi retirada e levar a impressão consigo.
Kralapp descreveu a biblioteca como «uma das obras mais silenciosas e inquietantes da exposição». Reserve tempo para ler e ouvir: só o texto dos painéis demora 34 minutos a percorrer. A entrada custa 16 € (8 € com desconto), e às quintas-feiras a exposição está aberta até às 20h00.
Truth (2022–25)
Procure as letras de betão T-R-U-T-H, separadas e fora de ordem, com o T deitado no chão; caminhe entre elas: a palavra só se lê de algumas posições.
StillTheyKnowNotWhatIDream (2021)
Dois painéis mecânicos de placas giratórias, como os antigos painéis de partidas das estações, percorrem frases como «Quando falamos, ninguém nos ouve» num ciclo de 34 minutos.
Someone Else: A Library of 100 Books
100 capas metálicas de livros correspondem a obras reais publicadas anonimamente ou sob pseudónimo; cada uma traz gravada a razão do autor: segurança política, ocultação do género ou proteção da reputação.
Untitled (Nothing Will Go on Record)
Mesas gravadas com cenas de detenções policiais em protestos, com a pessoa detida recortada; passe para o papel, com os gizes de cera disponibilizados, uma dessas gravuras e leve a impressão consigo.
Listening Air (2019/23)
Uma sala escura onde microfones suspensos, que funcionam como altifalantes, se deslocam lentamente pelo ar ao som de canções de resistência. A instalação parte de Hum Dekhenge, cantada nos protestos estudantis na Índia em 2019.
Se procura pinturas, esta exposição reúne instalações de escultura, som e texto sobre censura e fronteiras.